Eu me importo, até demais.

31 de dez. de 2010

Borderline

O que fazer quando aquilo que você mais tem desejado acontece? E se eu falar que eu não sei?! Já pulei, já gritei e já comemorei. Mas ainda falta, falta algo. Cheguei a uma conclusão... Quando mais a gente tem, mais a gente quer. Isso não é uma coisa boa, ao menos não para mim. Meu diagnóstico disse que seria assim, a vida toda. Eu não sei se vou aguentar viver no limite, entre o ódio e o amor o tempo todo. Me sinto egoísta por querer a atenção de todos o tempo todo, me sinto péssima por te querer só pra mim. Eu preciso mudar, aproveitar a época que há de chegar. Nossos sonhos, novas pessoas, um novo eu. Ah, como se isso fosse dar certo. Eu sou uma pessoa assim, meia amargurada sabe? Tudo o que eu planejo não dá certo. Apenas o que eu quero. E querer não é poder, só as vezes. E se eu querer ser normal? Sabe, ter uma vida simples e sem aquelas complicações. Ai eu vejo, ninguém tem uma vida normal. Nem Deus teve, porque eu teria? Meu normal é diferente do normal para outras pessoas. Pelo menos eu queria não ter sido diagnósticada, preferia ficar sem saber o meu problema real. Transtorno de personalidade borderline, não soa nada bem, certo?! É, nem para mim. O pior que ao ler sobre eu me enxergo em cada detalhe, nos piores detalhes. Mas calma, ainda há tempo de mudar. Só podem ter certeza aos meus 18 anos. Ainda falta uns anos, poucos, mas faltam. Enquanto isso eu quero aproveitar sem ser taxada de nada pela medicina. Porque pelas pessoas, sempre somos e é assim que funciona o esquema. Vamos, acabe com isso logo. Eu preciso de alguém que me dê plena atenção, 24 horas por dia. Dia e noite, pelo resto da vida. Isso seria felicidade para mim de acordo com a medicina. Estranho como eu fico divida, é isso mesmo que eu preciso/quero? Ou é ao contrário? Mas veja, é exactamente por isso que é chamado de Borderline. Você está no limite, ou é sim ou não. Amor ou ódio. A medicina até determinou minha sexualidade, vê se pode. O pior que ela acertou, até nisso. Eu a admirei durante anos, cheguei a pensar que queria seguir esse tipo de vida. Usar um jaleco branco, abrir corpos e atender pacientes do extremo ao simples. Agora? Ah, agora tudo mudou. Foda-se seu jaleco branco, foda-se seus corpos abertos e seus pacientes doidos. Eu sou apenas mais uma deles, não é? Ah, é. Você além de me dizer isso, me mostrou. Desse jeito eu realmente ficarei maluca. Não vê que a culpa não é minha? É a sociedade que faz as pessoas serem o que elas são. A culpa é das crianças, dos adolescentes, dos adultos e até dos mais velhos. Posso por a culpa até naqueles que já se foram. Mas eu sei que estou me enganando, eu posso por a culpa em quem eu quiser... Quem fez isso comigo mesmo, fui eu. É, mas encarar isso é a parte difícil e eu não sei se já estou pronta. Fumar meu cigarro com mais de 4.700 substâncias tóxicas é bem mais fácil, encarar minha mãe e a vida também. Em partes, claro. Eu sempre acho que já estou bem crescida, madura. Pra minha idade, estou, mas ainda tenho muita coisa pra aprender. Aprender a viver, sabe? Aprender a gostar de mim, saber me amar e como amar os outros. É simples entender minha visão, quando eu te amo você me odeia. Quando você me ama, eu te odeio. É horrível, eu sei. Mas fazer o que? Claro, existe exceções, porém poucas. Eu ainda procuro aquele alguém que não vá desistir de mim, da minha sanidade. Aquele que por mais que eu faça merda, permaneça aqui. É como achar uma agulha no palheiro, mas valerá a pena. Sei que sim. Enquanto nada acontece em minha vida de diferente, eu fico por aqui. Simplesmente aqui, sem me mover e sem tentar me entender. Quem sabe um dia isso mude, ou não.

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